SOTERIOLOGIA
Ulrich Zwinglio.
A Predestinação na soteriologia:
Para Ulrich Zwinglio (1484-1531), Zwlinglio como Lutero, estendiam a predestinação como uma defesa contra a justificação pelas obras. Ele entendia que se houvesse livre arbítrio para aceitar a salvação, não seria justificação pela fé, haveria obra humana envolvida no processo de salvação.
A salvação e condenação do homem é um ato exclusivo de Deus, que depende unicamente de Sua vontade[1].
Paul Tillich.
A Predestinação na soteriologia:
Para Paul Tillich, esta idéia da predestinação, tinha como pano de fundo em Zwinglio, uma concepção recionalista e determinista de Deus, deixando-se pouco espaço para a misericórdia e amor divino[2].
Como observa Olson, na visão de Zwunglio, se nenhum ser criado tem qualquer auto determinação independente, então, de certa forma, tudo é manifestação de Deus. Ate mesmo a queda de Adão e Eva foi predeterminado por Deus. Deus sabe tudo porque determina. Não há espeço em Zwinglio para a idéia da presciência de Deus predeterminando a liberdade humana. Os que se perdem não foram simplesmente deixados para pagar por seus próprios erros, eles também foram eleitos para a perdição[3].
Para Zwinglio era ponto passivo que “Portanto, Cristo é o único caminho para a salvação de todos os que existiram, existe ou existirão”.
Uma crítica a predestinação ensinada pelo suíso, era que o predestinado poderia então pecar já que está eleito mesmo. Zwinglio respondia dizendo que se o eleito diz que vai pecar a vontade, é porque ele realmente não é leito[4].
A vida do salvo é marcada por constante progresso e crecimento. Lutero, porém, ensinava que a vida cristã era de altos e baixos, ao mesmo tempo. Há um quê de verdade nesta afirmação, o protestantismo reformado preparou o solo para o ideal capitalista, porém de maneira nenhuma foi ensinado algum tipo de teologia da prosperidade.
O que ensinava é que o cristão pautava seus negócios por honestidade e também por buscar fazer tudo para a glória de Deus, o que permitia prosperar financeiramente.
De maneira nenhuma as obras são necessárias para a salvação, mas são a conseqüência lógica da mesma. O crente deve, portanto, progredir a cada dia no processo de santificação para cada vez mais se mostrar grato a Deus[5].
PAIS APOSTÓLICOS SEC I e II
Em relação a questão soteriológica a ênfase paulina da justificação da fé é deixada um pouco de lado. O assunto é abordado mais em termos de moralismo[6].
As principais questões são os atos que marcam a vida do salva. No Didaquê é apresentado o caminho da vida e o da morte. Uma teologia mais legalista começa a ser esboçada.
O termo justiça já não é mais aplicado como ato de Deus justificar o homem, como em Paulo (Rm 3.21). A justiça á a conduta cristã aprovada. Com isso nós podemos deduzir rapidamente que a justificação pela fé foi esquecida. Pode ter ocorrido apenas uma questão de ênfase. Uma exceção entre os Pais Apostólicos é Clemente, que traz ainda a doutrina da graça bem enfatizada em sua epístola, como se pode ver abaixo:
“Portando, todos foram glorificados e engrandecidos, não por eles mesmos, nem por suas obras, nem pela justiça dos atos que praticam, e sim por vontade Dele. Por conseguinte, nós que por sua vontade fomos chamados em Cristo Jesus, não somos justificados por nós mesmos, nem pela nossa sabedoria, piedade ou inteligência, nem obras que realizamos com pureza de coração, e sim pela fé, é por ela que Deus Todo-Poderoso justificou todos os homens desde as origens”[7].
Para Orígenes, as obras são a conseqüência natural da fé[8]. Em Clemente, como também em Paulo, a graça é que traz a salvação, sendo as obras fruto da salvação.
EXPIAÇÃO
A idéia de que Cristo morreu por nós aparece em Clemente[9], Inácio[10] e Policarpo[11].
HAMARTIOLOGIA SOTERIOLÓGIA
A idéia do perdão dos pecados fica um pouco mais restrita em alguns dos Pais Apostólicos. No Pastor Hermas é dito que só há perdão uma vez depois do batismo. Isto levou muitos cristãos a deixarem para serem batizados no final de sua vida. Um exemplo clássico foi o do Imperador Constantino. Neste sentido é limitado o perdão dos pecados. Começa então desenvolver-se um legalismo e também se prepara o caminho para a doutrina da penitências. A questão é como conseguir o perdão dos pecados cometidos depois do batismo. Está aí a origem do sacramento da penitências e dá idéia de indulgência.
Dentro do campo da salvação e pecado, começa-se também a desenvolver a idéia do “ascetismo”. No Pastor Hermas á proibido o segundo casamento, inclusive para viúvas. Também há a sugestão de que o melhor para o cristão é se abster de sexo, mesmo para os casados. Vemos então que as bases para o celibato e o desprezo pelo sexo são antigos na história da teologia[12].
A grande contribuição dos Pais Apostólicos na soteriologia foi a idéia da “Plano da Salvação”. Assim como Deus era o Todo Poderoso, criador e sustentador de todas as coisas, Ele também tinha um plano para a salvação do homem. Deus usa do seu poder para realizar seu plano. Desde o AT até o NT, Deus estava agindo de forma soberana com o objetivo de salvar o homem. Os Pai Apostólico mantém, portanto, a unidade do AT e do NT[13].
ANTROPOLOGIA SOTERIOLÓGICA
Para os apologistas o ser humano é um ser dicotômico. O homem é formado de corpo (soma) e alma (psiche/pneuma). Desde a criação o homem foi dotado de livre arbítrio por Deus. De maneira nenhuma Deus predetermina tudo o que acontece. As profeciais Bíblicas se cumprem, não porque Deus tudo predetermina, mas sim porque Deus já sabia de antemão todas as escolhas dos seres humanos. Em razão deste livre arbítrio todos os seres humanos são indesculpáveis diante de Deus[14].
Esta ênfase dos Apologistas no livre arbítrio do ser humano, deve-se ao embate com idéias gregas, que aceitavam que os deuses determinavam todos acontecimentos, sendo os homens presos aos seus destinos.
Perfil do Autor:
Natural do Rio de Janeiro; presidente da IBPE; Líder do KEDOSHIM Para a Adoração (Ministério de Louvor); 1o Secretário da COBRAIE em seu 3o mandato; Cristão a mais de 22 anos; Diretor Comercial do Informativo COBRAIE; Formação denominacional: Batista; Ordenado ao pastorado a mais de seis anos; Juíz de Paz Eclesiático na AJUPAZEC; Professor de Teologia e EBD a mais de 10 anos; Hermeneuta Exegeta; Palestrante em várias disciplinas. Atualmente encontra-se se aprimorando em Soteriologia, hermenêutica, Homilética e Exegese, escrevendo e adorando a Deus em várias igrejas através do trabalho que desenvolve no MAPE. É casado com Maria de Fátima de Brito Mattos e é pai de Daylane Brito Mattos. Convites e contados: silvamattos@gmail.com
[1] GEORGE, Thimalhy. Teologia dos Reformadores p. 124
[2] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. P. 255
[3] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã p. 412-13
[4] GEORGE, Thimothy. Teologia dos Reformadores p. 124-26
[5] OLSON, Roger. História da Teologia Crsitã. P. 414
[6] HAGGLUND, Bengt. História da Teologia. P. 14
[7] 1a Epístola de São Clemente aos Romanos, 32.3
[8] Abib, 31.1
[9] 1a Epístola de São Clemente aos Romanos, 21.6; 49.6
[10] Inácio aos Romanos, 6.1
[11] Policarpo aos Filipenses, 9.2
[12] OLSON, Roger, história da Teologia Cristã, p. 50
[13] TILICH, Paul. História do Pensamento Cristão, p. 41-42
[14] KELLY, J.N.D. Doutrinas Centrais da Fé Cristã. p. 123-24